Para Refletir!!!

sábado, 5 de dezembro de 2009

Sossega...!!!

Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.

Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperença a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo!

Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa

...UM...

Rifa-se um coração


Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu...
"...não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero...".
Um idealista...Um verdadeiro sonhador...
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
"O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer"
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta

Clarice Lispector

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Alegria...


Alegria é cântico das horas com que Deus te afaga
a passagem no mundo.
Em toda parte, desabrocham flores por sorrisos da natureza
e o vento penteia a cabeleira do campo com música de ninar.
A água da fonte é carinho liquefeito no coração da terra
e o próprio grão de areia, inundado de sol,
é mensagem de alegria a falar-te do chão.
Não permitas, assim, que a tua dificuldade se faça
tristeza entorpecente nos outros.
Ainda mesmo que tudo pareça conspirar contra a felicidade
que aspiras, ergue os olhos para a face risonha da vida
que te rodeia e alimenta a alegria por onde passes.
Abençoa e auxilia sempre, mesmo por entre lágrimas.
A rosa oferece perfume sobre a garra do espinho
e a alvorada aguarda, generosa, que a noite cesse
renovar-se, diariamente, em festa de amor e luz.

Meimei

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Jamais...

Eu jamais vou te esquecer!


Se a brisa da manhã tocar teu rosto e num gracejo
fogoso fizer teus cabelos brincar, saiba que é um
carinho meu, que sem querer te dizer adeus
pedi ao vento para te entregar!
Se ao andar pelas matas, sentir o cheiro da vida,
de folhas secas e molhadas, perfume de flores,
pode ser jasmim ou qualquer coisa assim, é
ainda a minha mensagem, que vai com
o meu perfume, para você jamais
esquecer de mim!
Ao ouvir o barulho de água cristalina, limpa, pura, vai
te lembrar minhas loucuras tentando te conquistar!
Uma cachoeira encantada vai te lembrar minha
risada quando eu só existia para te Amar...
E, ao ouvir pássaros cantando, em alguns galhos
namorando, recordará de algumas canções que
escutavamos baixinho, jogados em qualquer
cantinho, deixando a canção dizer o que
havia em nossos corações!
Se uma gota de orvalho atrevida, em tua face
pingar e mais uma outra ainda insistente cair,
é apenas uma lágrima que escorregou, é
a imensa Saudade a me consumir!
E, ao cair da tarde, quando tudo for silêncio,
olhe para o horizonte, escuta quando a noite
chegar. A mesma estrela vai te dizer que
mesmo que nunca mais te encontre,
eu jamais vou te esquecer!

Celia Piovesan

Linda Noite!!!


Noite Estrelada
Como é linda esta noite,
iluminada pelo luar.
Como é lindo o céu tão belo,
com as estrelas a brilhar.

Com a magia desta noite,
o pensamento vai voando,
saio fora de mim,
encontro o meu destino sonhando.

Como eu queria ter aqui,
a pessoa, que mais desejo,
mas embora na realidade a queira
só nos meus sonhos a vejo.

Olho para as estrelas
e penso esta noutro lugar,
junto de quem eu quero
e toda a vida irei amar.

(Nuno Carrasqueira)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

VIVER...


Viver o SONHO!!!

Num rasgo de saudade
Viajei no tempo
Perdi o sono
Revi os planos
Num rasgo de saudade
Viajei com o vento
Acompanhei seu canto
Revi momentos
Cantei cantigas
Dos tempos idos
Que repetiam
Não para agora
Que o tempo urge
Não para agora
Revive o sonho
Que te fez ressurgir no tempo
Abraça o tempo
Refaz o amor
Constrói castelos
E pontes e luas
Que afugentem a dor
Nos sonhos do teu castelo
A vida se faz com ardor
Não para agora
Não para agora
Espera o amor
Momentos idos
Momentos findos
São tão só os teus momentos
As linhas de tua vida
Em que viveste com tanto amor
Aprendeste o canto
Da alma pura
Que ri e chora
Que pede e implora
Não para agora
Teu canto é vida
Teu sonho é luz
Não para agora
Que o amor é vida
E te conduz

Fênix Faustine

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A flor!!!

A PIPA E A FLOR

Poucas pessoas conseguiram definir tão bem os caminhos
do amor como Rubem Alves, numa fábula surpreendente,
cujos personagens são: uma pipa e uma flor.
A história começa com algumas considerações de um
personagem que deduzimos ser um velho sábio.
Ele observa algumas pipas presas aos fios elétricos e aos galhos das árvores e afirma que é triste vê-las assim,
porque as pipas foram feitas para voar.
Acrescenta que as pessoas também precisam ter
uma pipa solta dentro delas para serem boas.
Mas aponta um fator contraditório: para voar, a pipa tem que estar presa numa linha e a outra ponta da linha
precisa estar segura na mão de alguém.
Poder-se-ia pensar que, cortando a linha, a pipa pudesse
voar mais alto, mas não é assim que acontece.
Se a linha for cortada, a pipa começa a cair.
Em seguida, ele narra a história de um menino que
confeccionou uma pipa.
Ele estava tão feliz, que desenhou nela um sorriso.
Todos os dias, ele empinava a pipa alegremente.
A pipa também se sentia feliz e, lá do alto,
observava a paisagem e se divertia com as
outras pipas que também voavam.
Um dia, durante o seu vôo, a pipa viu lá embaixo uma
flor e ficou encantada, não com a beleza da flor, porque
ela já havia visto outras mais belas, mas alguma coisa nos olhos da flor a havia enfeitiçado. Resolveu, então, romper a linha que a prendia à mão do menino e dá-la para a flor segurar. Quanta felicidade ocorreu depois!
A flor segurava a linha, a pipa voava; na volta, contava
para flor tudo o que vira. Acontece que a flor começou a
ficar com inveja e ciúme da pipa. Invejar é ficar infeliz
com as coisas que os outros têm e nós não temos;
ter ciúme é sofrer por perceber a felicidade do outro
quando a gente não está perto. A flor, por causa desses
dois sentimentos, começou a pensar: se a pipa me amasse
mesmo, não ficaria tão feliz longe de mim... Quando a pipa voltava de seu vôo, a flor não mais se mostrava feliz, estava sempre amargurada, querendo saber com quem a pipa estivera se divertindo. A partir daí, a flor começou a encurtar a linha, não permitindo à pipa voar alto. Foi encurtando a linha, até que a pipa só
podia mesmo sobrevoar a flor.
Esta história, segundo conta o autor, ainda não terminou
e está acontecendo em algum lugar neste exato momento.
Há três finais possíveis para ela:

1 - A pipa, cansada pela atitude da flor, resolveu romper a linha e procurar uma mão menos egoísta.
2 - A pipa, mesmo triste com a atitude da flor, decidiu ficar, mas nunca mais sorriu.
3 - A flor, na verdade, era um ser encantado.
O encantamento quebraria no dia em que ela visse a
felicidade da pipa e não sentisse inveja nem ciúme.
Isso aconteceu num belo dia de sol e a flor se transformou numa linda borboleta e as
duas voaram juntas.

Rubens Alves